Ou o neurodesign de apresentações e o potencial diálogo entre arte, ciência e educação.
A neuroestética — percepção estética e resposta cerebral — é o campo que investiga as bases biológicas das experiências artísticas. Busca compreender como o cérebro percebe, processa e reage à arte, enquanto esta oferece formas de explorar as capacidades cognitivas e emocionais do ser humano.
Já o design de apresentações aplica-se a um campo multidisciplinar que deve resolver o paradoxo de, ao mesmo tempo, respeitar (design) e transgredir (arte) limites estéticos.
Por meio de uma leitura crítica e interpretativa, deve contextualizar e produzir resultados que explorem não apenas a técnica, mas também o fazer artístico. A arte permite romper círculos viciosos engessados, surpreendendo o olhar através de fontes imagéticas diversas, como fotos, ilustrações e vídeos, além de estimular outros sentidos por meio de linguagens textuais e sonoras.
A integração de recursos narrativos ao design instrucional não apenas enriquece o conteúdo, mas também potencializa a experiência cognitiva do público. Conforme Gazarini (2024), a aprendizagem mediada por estímulos multimodais promove transformações sinápticas e fortalece redes neurais envolvidas na construção do conhecimento, especialmente aquelas relacionadas às funções executivas, como atenção, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva — atividades fundamentais que regulam o foco, a organização mental e a capacidade de retenção e manipulação de conteúdos, sendo consideradas pilares da aprendizagem significativa.
Essa perspectiva é corroborada por estudos em neuropsicopedagogia, os quais indicam que estímulos visuais e linguísticos bem estruturados favorecem a ativação das funções executivas, contribuindo para uma aprendizagem mais eficaz (Silva, 2023).
A aprendizagem é um processo complexo e multifatorial, que envolve a interação dinâmica entre estímulos externos e mecanismos internos mediados pelo cérebro humano. Deve, assim, explorar a dimensão estética e artística inovadora, fomentando um pensamento crítico e reflexivo em oposição à pura técnica ou ao tecnicismo que leva a resultados genéricos.
É importante, portanto, valorizar o design na medida em que cria uma síntese ou novo significado subjetivo, superando a simples reprodução. Dessa forma, a manifestação e seu resultado não são meros produtos de consumo, mas expressões da criação, na medida em que se busca resolver problemas estéticos.
O uso de tecnologias nas apresentações também permite sintetizar novas abordagens e soluções, promovendo experimentação e descobertas. Assim, a tecnologia torna-se parte integrante da produção criativa.
Portanto, a neuroestética e o neurodesign contribuem para o desenvolvimento de habilidades cognitivas pela ativação das funções executivas por meio de estímulos visuais e narrativos, mas também emocionais e sociais. Além disso, manifestam fatores subjetivos que aumentam o engajamento e facilitam a retenção de informações, resultando em uma visão atual, crítica e criativa.
Agradecimento à Profa. Dra. Lilian do Amaral.